As redes sociais vêm desempenhando um papel fundamental no comportamento da audiência televisiva, assim como na nova estruturação do mercado e do composto de comunicação. Cada vez mais espectadores usam o Facebook, o Twitter (apelidados de “novos corretores da TV”), o You Tube, e os novos apps da TV Social como plataforma para conversar sobre conteúdo televisivo, seja ele em formato de séries, novelas ou comerciais. Este diálogo representa um novo canal de troca entre produtores de conteúdo e consumidores. Mais que isso, esta interação tem fornecido insights aos marketeiros a respeito do perfil das pessoas envolvidas nestas conversas, suas preferências em marcas, seus interesses e comunidades das quais participam.
A dissertação “O Design Televisual e a Interatividade – Identificando Características e Potenciais” é o fruto do meu mestrado e da pesquisa que durou mais de 2 anos em torno das potencialidades e características do design televisual no contexto da interatividade, principalmente em virtude da digitalização e da convergência midiática.

A Rede Globo começa investir pesado em conteúdo interativo para a televisão digital. Para quem já possui aparelhos televisores (ou mesmo celulares) com dispositivo para a interatividade (com os chamados set-top boxes com o middleware Ginga), foi possível acompanhar as transmissão da Copa do Mundo com uma interface especial que trazia informações adicionais como pontuações da partida, enquetes e bolões em tempo real, tabelas dos jogos e notícias do campeonato.

Ao contrário do SBT e da Band, que também disponibilizaram seus próprios aplicativos, a preocupação da Rede Globo em promover a adequação e integração dos elementos com a linguagem televisiva se mostrou mais evidente. Os botões, os grafismos e os infográficos acompanham a mesma identidade visual utilizada pela emissora para a Copa, abusando dos efeitos dourados tridimensionais e as formas arredondadas.

Em busca dessa importante padronização estética, alguns detalhes técnicos e de usabilidade em específicas situações foram deixadas um pouco de lado. Foi o caso dos botões dourados que possuem a mesma representação gráfica – a bola dourada com adornos africanos - fazendo com que as palavras sobre cada um deles tivessem um peso diferenciador de identificação predominante. Contudo, os demasiados efeitos e os ajustes para diminuir as palavras grandes para um melhor encaixe sobre a ícone prejudicaram uma imediata leiturabilidade. O que não ocorre nas demais tabelas e infográficos que se apresentaram de maneira legível e exploraram de maneira eficiente a tela, principalmente as laterais, de modo a não atrapalhar em excesso a transmissão linear. Apesar que, em algumas situações, fica difícil acompanhar o jogo com tantas informações na tela. Mas sem dúvida, a experiência interativa é bastante envolvente, muito pelo fato dessa integração estética com a comunicação visual da atração.

Vale mencionar também as semelhanças visuais dessa interface com o painel interativo utilizado pelos apresentadores Tiago Leifert e Luis Ernesto Lacombe no programa “Central da Copa”. Tecnologia lançada nacionalmente no Fantástico e que sempre considerei inútil, por conta da menor definição e nitidez com que as imagens aparecem em tela, se comparado ao bom e velho cromaqui. No entanto, começo a rever minha posição no contexto da interatividade televisiva. A semelhança visual entre as interfaces manipuladas pelo apresentador no programa e pelo espectador em casa, levam a uma configuração semântica interessante. É como se ambos, emissora e audiência, estivessem estabelecendo uma conversa direta dentro de um universo virtual comum ou uma mesma plataforma, diminuindo a distância interacional, se comparada ao computador ou ao celular, por exemplo. Nesse sentido, o uso do painel nos programas como estímulo ao uso do aplicativo interativo parece ser uma efetiva e inovadora solução .
>>> Ficha Técnica
Ano: 2010
Canal: Rede Globo
Produção: Rede Globo

Ainda em clima de Copa, agora é a vez da emocionante vinheta de abertura das transmissões do canal britânco ITV. O vídeo é formado basicamente por belísssimas e bem selecionadas e produzidas cenas de jogadores, torcedores e pessoas dos diversos países, com ênfase nos variados tipos africanos. Tudo isso em meio a um efeito fluido e dourado que é integrado durante essas cenas, de forma extremamente orgânica e suave, culminando em um surgimento mágico da taça nas mãos de um africano. Mesmo não seguindo os padrões de identidade oficiais estabelecidos pela FIFA, o canal procurou enfocar em outras qualidades importantes desse evento, que não estão necessariamente na bola ou nas jogadas, mas na intensidade de emoções e diversidade de vidas, culturas e sentimentos envolvidos.






>>> Ficha Técnica
Ano: 2010
Canal: ITV
Produção: ITV
>>> Postado por André Luiz Sens

Essa semana, a Google lançou o Google TV, que promete ser uma revolução na experiência de assitir televisão. No entanto, não é bem isso que vemos. Com ele será possivel acessar todos o conteúdo da televisão e internet, como vídeos, músicas e fotos através de uma interface gráfica simples na própria tela televisiva a partir de um dispositivo acoplado ao aparelho. Nada muito diferente, como afirmou Tiago Dória em seu blog, do que a Apple TV já oferece. A única novidade está em algo que eles sabem fazer muito bem: o sistema de busca. Em artigo publicado para desenvolvedores e designers, a Google traz uma série de diretrizes que devem ser respeitadas na construção de conteúdo para essa TV. Muitas dessas diretrizes entram de acordo com princípios já levantados em outro artigo trazido aqui sobre os princípios para o design de interface para a TV Digital Interativa, como a importância da legiblidade e usabilidade em composições textuais, o caráter social e familiar da televisão e os cuidados com intervenções interativas sobre o conteúdo.
O importante nisso é um alinhamento de pensamento, no qual se constata que o design para televisão interativa não deve ser tratado da mesma forma que o design para a internet. O divertido vídeo divulgado pela Google, aliás, enfatiza bem isso. O problema é a forma como ele está sendo concebido inicialmente em relação ao aparato físico para a interação, envolvendo basicamente um teclado computacional (controles podem até ser uitlizados com grandes restrições), o que ignora a tal experiência televisiva.
Por outro lado, devido a limitações impostas, tanto pelo desconfortável teclado, como pelo controle que já não correponde ergonomicamente às diversas funcionalidades possíveis, vemos iniciativas bastante interessantes de repensar a criação do aparato de interação televisiva com a criação de dispositivos como o iPad ou iPhone. Talvez esse seja o caminho mais coerente que permita finalmente uma mudança de experiência como a Google TV propõe, sem perder algumas qualidades intrínsecas e únicas da televisão.
>>> Postado por André Luiz Sens





