Vinheta Olimpíadas 96 da Rede Globo.

Relembre a vinheta das Olimpíadas de 1996 da Rede Globo. Ao contrário da vinheta generalista oficial que preferiu se ater a comemoração dos centenário dos jogos e utilizou majoritariamente referências à Grécia Antiga, a equipe de Hans Donner preferiu algo mais original.  Isso porque a vinheta consisitia em um disco flamejante que saía de Barcelona e sobrevoava iluminando os principais pontos turísticos dos Estados Unidos até chegar em Atlanta. Por serem mais populares e conhecidos, optou-se obviamente por utilizar as atrações de Nova York, mesmo o evento sendo realizado em outra cidade americana.

Esse disco era arremessado inicialmente por um jogador de disco nu (fazendo uma associação aos jogadores olímpicos gregos da Idade Antiga) formado a partir das bandeiras de todos os países. Isso exigiu um trabalho em computação gráfica jamais visto antes no design televisivo nacional e que inspirou mais tarde a origem da Globeleza Virtual.

Por fim, o disco terminava acendendo a tocha olímpica e apresentava uma marca, também diferente da oficial. O símbolo da Globo em dourado vinha substituindo um dos anéis olímpicos.

Postado por André Luiz Sens

Abertura: Os Piores Clipes do Mundo [1999].


O Fantástico comemorou ontem 35 anos. E para lembrar mais uma vez dessa data, confira a paródia que a abertura do programa da MTV “Os piores clipes do mundo” fez a famosa pirâmide dourada de 1983, os bailarinos futuristas e toda estética Hans Donner presente nas aberturas da revista eletrônica da Rede Globo.

Compare também com a abertura do Fantástico que mais serviu de inspiração para a brincadeira:

>>> Ficha Técnica

Ano:  1999

Canal: MTV Brasil

Produção: MTV Brasil

>>> Postado por André Luiz Sens

Evolução: Identidade Visual Jornal Nacional.

título evolução design jornal nacional 2000

No próximo ano, o primeiro telejornal que passou a ser transmitido em rede nacional vai comemorar 30 anos. O Jornal Nacional, durante todo esse tempo, trouxe diversas inovações para o telejornalismo brasileiro, além desse pioneirismo de transmissão. E uma delas foi, sem dúvida, a sua linguagem visual que se tornara referência entre as demais emissoras.  É através da evolução dos seus famosos cenários e inesquecíveis vinhetas que podemos conhecer um pouco da história desse programa, da própria Rede Globo e também da televisão no Brasil.

Em 1969, ainda em preto e branco, estreava o Jornal Nacional. E com ele, a primeira abertura com a voz imponente de Cid Moreira e com uma sequência de imagens de fatos históricos nacionais. Os únicos efeitos empregados foram a duplicação, junção e distorção de algumas dessas imagens enquanto os letreiros “NO AR” e “JN”, com a tipografia padrão da Globo na época, eram apresentados.

Aliás, era a primeira vez que o nome de telejornal brasileiro se apresentava na forma de sigla. Embora seu nome tivesse um apelo bastante forte, eles optaram utilizar somente as duas letras iniciais, como muitas corporações. A adoção desse tipo de assinatura não se limitou somente ao Jornal Nacional, mas também aos demais telejornais da casa, como o Globo Repórter (“R”) e Jornal Hoje (“H”).

Três anos depois, começaram as transmissões em cores.  E o Jornal Nacional tinha que seguir as inovações da época, assim como fez desde sua estreia. Foi, então, criada pelo designer Borjalo, uma nova vinheta psicodélica com formas minimalistas e cores vibrantes, que variavam entre o rosa, o vermelho e o azul.  O extremo contraste entre as formas e as cores permitia também uma transmissão legível nos aparelhos em preto e branco. Afinal, eles eram maioria na época.

Essa vinheta apresentava efeitos bidimensionais e alguns tridimensionais, que em sua maioria utilizavam como base o globo terrestre estilizado, símbolo da emissora.  Símbolo esse que foi incorporado ao logotipo do jornal, o mesmo “JN”, mas com as letras unidas em uma forma só. Embora anteriormente a tipografia empregada nos créditos era a mesma durante toda a programação, foi partir dessa segunda vinheta que a identidade do canal começou a ficar mais atrelada a identidade do próprio programa.

O azul da vinheta não foi escolhido de forma aleatória. Ele foi provavelmente utilizado justamente para compor com a identidade com o cenário. Isso porque se estava iniciando a utilização do cromaquí  para a introdução de imagens ao fundo para ilustração das matérias apresentadas. E o azul é uma das cores mais utilizadas nessa técnica, ainda rudimentar na época.

O psicodelismo na vinheta do Jornal Nacional ganhou um tom a mais em 1976. Em um fundo preto, diversas simulações de distorção óptica de lentes e perspectiva eram apresentadas com cores e de formas variadas. Tudo isso a partir da nova identidade da Rede Globo, com a tipografia arredondada e o novo símbolo. A marca do JN havia mudado também. A suas letras ganharam uma forma robusta e moderna e o globo foi movido para frente. Era a primeira vez também que a palavra inteira do jornal aparecia em sua abertura.

Em 1979, o colorido exagerado foi substituído por feixes luminosos que formavam mais uma vez o símbolo da Rede Globo (novamente remodelado e mais metalizado) que seguia em destaque com movimentos rápidos de vai-e-vem e terminava unido ao logotipo do jornal. Jornal Hoje e o Globo Repórter ganharam versões similares da mesma vinheta. Talvez para diminuir custos, já que estas foram produzidas nos Estados Unidos.

Os grafismos brilhosos continuaram em 1981, ainda a partir de um fundo negro, e ilustravam através de vários ângulos um mapa-múndi estilizado. A idéia era ressaltar um jornal, que apesar do nome, não se restringia somente a notícias do Brasil. E dessa vez, foi ignorada totalmente qualquer ligação com a identidade da Rede Globo.

Mas foi em 1983, com o conceito futurista implementado por Hans Donner na linguagem visual da Rede Globo, graças ao avanço da computação gráfica, que a vinheta de abertura do JN, assim como diversos outros programas, ganhou definitivamente uma nova cara. Um novo globo terrestre estilizado voltava a aparecer. Mas não se tratava do mesmo empregado como símbolo do canal e sim de uma esfera tridimensional vazada e com diversas fendas de onde saiam vários logotipos do JN, agora também em três dimensões. As cores, azul com detalhes em vermelho, faziam uma referência á vinheta de 1972. E o complemento prateado, traz de uma forma mais sutil a associação ao canal, abolida na vinheta anterior.

A partir daí, a identidade visual da abertura se consolidou, recebendo ao longo do tempo somente algumas repaginadas. Em 1990, o fundo ganhou uma constelação e em 2000, o azul da marca ficou mais claro.

O cenário, por sua vez, com o já tradicional fundo azulado, incorporou a mesma linguagem da abertura, agregando vários logotipos flutuantes e uma bancada prateada com néon vermelho. Com o passar do tempo, os logotipos, ao invés de serem aerografados, foram pendurados com invisíveis fios de náilon.

evolução cenários jornal nacional

Seguindo uma linguagem televisiva mais rápida, no ano 2000, o Jornal Nacional recebeu modificações mais aprofundadas. O aspecto metalizado foi também eliminado em prol de uma estética mais contemporânea, utilizando materiais como o vidro e o acrílico. Já a vinheta de abertura foi substituída por uma rápida assinatura do logotipo, ligeiramente mais arredondado, que ao final se integra juntamente com o cenário. O cenário, por sua vez, seguindo o modelo americano, traz o estúdio para a redação. Mas os “JNs”, a bancada (três metros e meio mais elevada que o chão) e uma mapa-múndi no teto ainda fazem a ornamentação. Assim como o logotipo, os selos são tridimensionais e do mesmo modo se fundem ao cenário, possibilitado pelas novas técnicas de sobreposição juntamente com o velho conhecido cromaquí.

Em 2009, em comemoração aos seus 40 anos, promoveu mudanças em seu cenário e sua marca. Nada muito drástico, que comprometesse a forte identidade do telejornal. Somente alguns detalhes que impressionam visualmente, como o globo central que agora gira e a presença de telões também na redação estendendo os selos das reportagens a ela. A vinheta de abertura, assim como a marca, também  foram repaginadas. A marca, inclusive, recebeu um tratamento gráfico ainda mais brilhante e um pouco menos arredondado.

Não se pode negar a grande repercussão e sucesso do Jornal Nacional.  Alguns jornais concorrentes, como o TJ Brasil, na década de 90, e mais recentemente, o Jornal da Record, souberam e sabem isso. E por esse motivo, ambos recorreram a estética e a linguagem do JN para tentar agregar atributos similares conquistados ao longo desses anos, como inovação, credibilidade e tecnologia.

>>> Postado por André Luiz Sens

>>> Contribuições: Memória Globo

(atualizado em 25.05.2010)

Rede Globo estréia nova tela digital interativa no Fantástico.

Em comemoração aos seus 35 anos e o início das transmissões das Olimpíadas, o Fanstástico estrou uma nova tecnologia na televisão brasileira que muda de certa forma o conceito dos infográficos ou os tradicionais selos, aquelas imagens ao fundo ou ao lado dos apresentadores, ilustrando a matéria que está sendo apresentada.

Isso porque, graças aos avanços tecnológicos, alguns telejornais (a até alguns programas, como a transmissão de corridas e futebol), utilizam recursos técnicos tridimensionais a esses elementos complementares para que tenham mais ligação com o cenário ou como os apresentadores.

Baseda na Magic Wall, do canal americano CNN, Patrícia Poeta e Zeca Camargo, através de uma imensa tela eles arrastavam, clicavam ou apontavam para ter acesso as informações que necessitavam. Tudo com simples toques sobre ela. Durante as Olimpíadas de Pequim, essa tela digital interativa irá quadro de medalhas, inforamações sobre atletas, os locais onde acontecerão as competições, entre outros.

É bem verdade que hoje a linguagem televisiva permite ter a ilusão que não se precisa haver o toque em nada para o aparecimento de gráficos. Vide as previsões do tempo do Jornal da Band ou ou Jornal Nacional, por exemplo.  Mas essa linguagem “touch screen” traz um diferencial. Ela tenta trazer cada vez mais uma associação maior a linguagem da internet ao mundo televisivo. Coisa que a tevê digital vêm prometendo com a sua tão alarmada interatividade.

Confira no vídeo abaixo ou no site da Globo.com como funcionará a tela digital durante as Olimpíadas.

Além disso, confira uma reportagem feita também pela Globo.com, como o criador da tela: Jeffrey Han.

Postado por André Luiz Sens

(Com a colaboração de Tiago Dória e Fernando Lima)

Pílula Televisual: Abertura de Metamorphoses.

A pílula de hoje é a abertura da novela da Rede Record: Metamorphoses (2001). Graças aos vultuosos investimentos da emissora, essa novela tentou trazer vários aspectos inovadores, como a resolução em HD (antes mesmo da tevê digital no Brasil) e a linearidade da trama, como se fosse um filme. Todo esse requinte cinematográfico refletiu também em sua abertura.  O formato wide (com as famosas tarjas pretas), os efeitos fractais empregados na personagem feminina e a movimentação da câmera deram ainda mais sofisticação e um ar de produção hollywoodiana.

Com um história cujo tema prinicipal é a cirurgia plástica, o conceito de metamorfose e beleza foram explorados por meio de vários símbolos, como a mulher, os cristais, além, é claro, da borboleta. Além disso, a novela também tratava do roubo de três jóias e o envolvimento da máfia japonesa. Por isso as inscrições tatuadas na mulher com traços nipônicos, a predominância das cores vermelha, preta e branca e o pingente dourado. Tudo isso ao som de “Olhar de mulher”, cantada por Leila Pinheiro.

Postado por André Luiz Sens.

Vinhetas oficiais das Olimpíadas.

Faltando 8 dias para a chegada das Olimpíadas de Pequim, conheça as vinhetas oficiais dos eventos anteriores a partir de 1992, que foram utilizadas mundialmente. Em geral, alguns canais brasileiros, tanto abertos quanto fechados, acabam utilizando elas na sua programação especial, ao contrário de outras, como a Rede Globo, que utiliza produções próprias.

Como é de se esperar, essas vinhetas costumam misturar os elementos culturais, históricos e artísticos da cidade-sede com o mundo dos esportes olímpicos. Mas não se pode dizer que é uma regra.

No caso de Barcelona, em 1992, foram empregadas referências do artista e arquiteto Gaudí. Algumas formas de suas obras, inclusive, ganhavam vida através de corpos esculturais de atletas.

Pela cidade sede não apresentar elementos muito representativos mundialmente e para comemorar os 100 anos das Olimpíadas da Era Moderna, a vinheta de 1998, em Atlanta, optou por ressaltar os atletas (na maioria americanos) e a estética da Grécia Antiga, local que originou o evento.

Já em Sidney, aconteceu extremamente o oposto. Os esportes interagiam com os principais pontos turísticos e atrações de Sidney, como seus cangurus, as tribos indígenas, as paisagens naturais e a sua Opera House.

Em 2004, a vinheta das Olimpíadas de Atenas não conseguiu fugir do óbvio. Além de mostrar imagens dos esportistas e dos símbolos turísticos mais conhecidos da cidade, também tentou-se evidenciar aqueles referentes a origem dos jogos olimpícos da Era antiga. Contudo, grafismos modernos agregaram uma contemporaneidade e leveza, trazendo, aliás, menos imponência que os anteriores.

Vinheta Barcelona 1992

Vinheta Atlanta 1996

Vinheta Sidney 2000

Vinheta Atenas 2004

Postado por André Luiz Sens

Pílula Televisual: Abertura de Deus nos Acuda.

Em Deus nos Acuda, novela da Rede Globo de 1992, as analogias criadas sobre a situação do Brasil foram explícitas em sua abertura de forma bem clara. O principal elemento utilizado para isso foi a lama. Oriunda da tinta de um “canetaço”, ela enchia, regada a dinheiro e luxúria, uma sultuosa festa da elite, ao mesmo tempo que o Brasil inteiro era literalmente esvaziado com uma descarga. No logotipo da assinatura final, Deus aparece logo em cima de seus rebentos, no momento em que aparecem afundando.

Acompanhe o vídeo com a abertura, precedida do making of e depoimento do criador Hans Donner.  Essa sem dúvida, é uma das aberturas mais marcantes da Rede Globo, não só pelos efeitos especiais requintados, mas também pela mensagem sobre um momento que continua bastante atual na realidade brasileira.

Postado por André Luiz Sens

Evolução: Aberturas de Vila Sésamo.

título evolução  vila sésamo

Em 1972 estreou simultaneamente na Rede Globo e TV Cultura, o Vila Sésamo, um dos programas infantis de maior sucesso no Brasil e no mundo e seu formato inovador, que mistura educação e entretenimento, serviu de base para diversas outras produções do gênero. O programa é uma adaptação do original americano Sesame Street, de 1969, do canal Children’s Television Workshop.

Logo no seu início, o programa seguiu rigorosamente o modelo americano. Mas logo depois, a produção brasileira procurou trazer elementos originais. Foram incluidos novos personagens e trilhas sonoras exclusivas (para o português, obviamente) e a troca do termo rua para vila. Já a abertura, criada por Cyro del Nero, não poderia ser diferente. Embalada por um música encantadora (do Trio Soneca), eram mostradas prateleiras cheias de objetos do mundo das crianças, como brinquedos e livros. Os elementos, mesmo em preto e branco eram facilmente reconhecíveis por suas formas e pelo alto contraste dado a eles.  A principal estrela que dava vida e movimento a tantos elementos estáticos, foram os pássaros, símbolo de liberdade (bem a calhar a época). A assinatura gráfica final primou por um tipografia decorativa um pouco arredondada, mas sem alinhamento ou simetria. As letras, uma diferente da outra (incluindo até as iguais), parecem ter sido recortadas. O aspecto formal retratava bem a “imperfeição” infantil e a delicadeza, ressaltada ainda pelo elemento floral.  Mesmo em preto e branco, a abertura chamava atenção por sua simplicidade e causava um certo sentimento nostálgico entre os adultos.

antes e depois marca vila sésamo

As segunda e terceira temporada da atração foram realizadas posteriormente sem a participação de TV Cultura até o ano de 1975.

Em 2007, Vila Sésamo ganhou uma nova versão, agora somente na TV Cultura. E com isso, o programa ganhou uma nova abertura contando com todas as possibilidades técnicas atuais e com a mudança de linguagem gerada por uma nova geração envolta com os mais variados estímulos, quase inexistentes na década de 70, como computadores, video games, etc. Para isso, Vila Sésamo baseou-se um pouco na linguagem utilizada nos Estados Unidos. O foco ficou em do torno dos famosos e simpáticos personagens que interagem com os objetos e ambientes tipicamente infantis, como a escola, o parque e o quarto. Extremamente colorido (o oposto da anterior), utilizou-se também a analogia dos livros de dobraduras com técnica tridimensional. A mesma idéia das últimas vinhetas do Sítio do pica pau amarelo e de Sesame Street (2007). A assinatura se limitou a uma adaptação da marca americana, a estilização de uma placa de rua. A trilha sonora ganhou uma nova música com uma batida mais rápida e contemporânea, cantada por Vanessa da Mata.

Confira a a trajetória das aberturas da versão nacional e da versão americana:

>>> Postado por André Luiz Sens