Pílula Televisual: Abertura de Sinhazinha Flô.


Após a leitura do artigo sobre as aberturas de Roque Santeiro, você deve ter notado a menção a novela de época Sinhazinha Flô, transmitida pela Rede Globo em 1977. Após a censura da novela de Dias Gomes, os criadores puderam aproveitar a sua trilha sonora. Enquanto que em Roque Santeiro, a melodia foi escolhida muito mais por causa de sua melodia extremamente nordestina, em Sinhazinha Flô, o aproveitamento da música se deu em virtude da letra, que tratava dos mesmos assuntos abordados na trama, como o Período Colonial e a Escravatura.

E para compor a vinheta, optou-se pelo emprego de rendas brancas (largamente utilizadas nas vestimentas e casas da época) dos mais variados desenhos e formatos que se moviam, giravam, ganhavam e perdiam o foco, formando assim, composições e grafismos interessantes, sem a necessidade de qualquer auxílio computacional.

Postado por André Luiz Sens

Abrindo a Novela: Negócio da China.

Negócio da China, de Miguel Falabella, é a nova novela da seis da Rede Globo. E diferente das últimas novelas do horário, essa traz uma temática completamente contemporânea. E uma das referências principais da trama são os bem humorados filmes de luta, estilo Jackie Chan. A própria história é iniciada na China, envolve um roubo milinário, possui personagens chineses e  obviamente muita luta marcial.

A abertura, no intuito de apresentar todos esses elementos, recorreu a uma das cenas da própria novela, na qual a personagem Liu efetua um roubo bilionário através de um pen drive dourado em um cassino em Macau. Após o ocorrido, Liu é perseguido por “infinitas” pessoas desde o escritório até o saguão principal do empreendimento. Toda essa situação, que envolveu socos, voadeiras, bandejadas, bombas e muitos clichês clássicos desse cinema, é também o desencadeador de toda trama, além de sintetizar todas as principais características do folhetim. Essas cenas deixaram inclusive de serem utilizadas na trama para serem inseridas primeiramente na abertura de forma linear, com a entrada do intervalo comercial. A abertura funcionou com uma continuação do próprio capítulo.

Mesmo a cultura da China ainda estar impregnada na cabeça dos brasileiros devido aos recentes jogos olímpicos, a equipe de criação insitiu em agregar mais alguns símbolos chineses para contribuir para a associação, como um dragão chinês dourado (provavelmente em virtude do design do pen drive) e um típico congo, que está presente na assinatura gráfica. E como não poderia deixar de ser, a tipografia do logotipo e o vermelho reforçam ainda mais essa estética oriental. Outra novidade relacionada a isso, são as vinhetas de entrada e retorno dos comerciais que, em vez de mostrarem um parte da abertura como usual, elas inovaram trazendo os bonequinhos tridimensionais que representam personagens chineses e que já puderam ser vistos nas chamadas da novela.

boneco negócio da china

Já a trilha de abertura conta com o cantor Ney Matogrosso que canta uma música, denominada “Lig-Lig-Lig-Lé”, que faz uma ligação descontraída, tanto na letra quanto na melodia, entre os costumes do Brasil e esse país que dá nome a novela. O cantor, aliás, é a apresentação especial do cassino no capítulo inicial.

Postado por André Luiz Sens

Aberturas de Roque Santeiro.

Em 1975, a Rede Globo tentou estrear a novela de Dias Gomes, Roque Santeiro. A novela fazia uma sátira á cultura brasileira, principalmente das pequenas cidades, envolvendo a necessidade do culto e manutenção de mitos, por motivações econômicas, inclusive. Na novela, a história se passava na cidade fictícia do nordeste Asa Branca. Nela foi criada o mito do milagreiro Roque Santeiro (porque modelava santos de barro), que teria morrido como mártir depois de uma batalha com o cancaceiro Navalhada e que, após sua morte, foi atribuido a ele, uma série de milagres.

Contudo, no auge da censura televisiva, antes mesmo de estreá-la, a novela foi censurada. E com isso, uma interessante abertura também deixou de ser transmitida. Baseada na linguagem dos córdeis, livretos de poesias populares comuns no nordeste, e na estética das xilogravuras, marca registrada desses livretos, a vinheta simulava uma narrativa fantástica, na qual os atores eram apresentados em meio a ilustrações de seres mitólógicos, monstros e personagens cangaceiras. Em algumas dessas ilustrações percebe-se claramente a apresença de elementos do folclore e da cultura nacional, assim como nos próprios cordéis.

Em 1985, a Rede Globo felizmente retoma o projeto de Roque Santeiro. Mas, nesse momento, foi incumbido a Hans Donner a tarefa de modernizar a novela, trazendo uma nova vinheta de abertura. E assim como já de costume, ele utilizou a ambigüidade e o surrealismo através de um interessante jogo de imagens.  Nela, ele mostrava de forma inusitada a invasão do homem no espaço natural brasileiro. Tratores andavam sobre espigas de milhos, bóias-frias caminhavam sobre folhas gigantes, motocicletas ziguezaguevam sobre cocos,  barcos navegam sobre uma asa azul de borboleta, entre outras situações curiosas. Para a produção desses efeitos, foram recorridos aos recursos do cromaqui e de miniaturas, embora a idéia incial de Donner era utilizar carros de verdade na cena em que há um engarrafamento sobre uma vitória-régia.

Já a assinatura gráfica, com aspecto bem mais contemporâneo que a versão anterior, tentava evidenciar de forma sucinta dois dos aspectos mais presentes na sua personagem principal que dá título a novela: a brasilidade, através do paleta cromática; e a santidade, por uma simples interferência formal na logotipia, transformando o “Q” central em uma auréola estilizada.

Mesmo  trazendo uma associação mais coerente a história, a abertura de 1975 trazia algumas limitações comerciais em relação a segunda versão, que tinha um apelo mais popular e uma linguagem mais dinâmica e divertida, incluindo até a alegre trilha sonora “Santa Fé”, cantada por Moraes Moreira, em substituição da melodia da primeira abertura (aproveitada na abertura de Sinhazinha Flô, em 1978) que possuía um ritmo mais pesado e regional, oriundo da cultura do sertão nordestino e do xaxado.

Abertura de 1975

Abertura de 1985

Postado por André Luiz Sens

(Confira este artigo também no Tele História)

Abertura: Dexter

Dexter é uma série de sucesso do canal Showtime, que tem como enredo principal a vida de Dexter Morgan (Michael C. Hall), analista forense especialista em padrões de dispersão de sangue e, nas horas vagas, um meticuloso serial killer de criminosos nos quais a Justiça não conseguiu prender. O mais interessante é que ele se utiliza de suas habilidades profissionais e do meio onde ele trabalha como um ótimo disfarce para os seus próprios crimes.

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Evolução: Identidade Visual SBT

título evolução design sbt

Baseado nos moldes americanos, em 1976 nascia o TV Studios, o canal de televisão  do apresentador Silvio Santos que mais tarde se tornaria o Sistema Brasileiro de Televisão. Apresentando uma programação popular, recheada de produções enlatadas, a emissora formou ao longo de sua história uma identidade visual que retratava bem essa realidade.

O TV Studios, ou simplesmente TVS, iniciou suas transmissões pelo canal 11, trazendo basicamente filmes e desenhos importados, principalmente dos Estados Unidos. Mas não foram somente os programas que vinha de fora. Boa parte de sua programação visual foi integralmente baseada na WPIX, canal americano de filmes e séries.

Em uma das vinhetas interprogramas de 1976, a TVS optou por utilizar uma reprodução da abertura da faixa de filmes das 20 horas da emissora americana. Contudo, na versão brasileira, a TVS anunciava nos intervalos a próxima atração contendo ao fundo três cilindros formados pelas palavras-chaves com as classes de programas principais de sua programação: shows, filmes e novelas.

Outra influência da WPIX estava relacionada com o primeiro símbolo da TVS que consistia em duas barras paralelas dentro de um círculo. O que diferia da versão internacional era que as barras do símbolo da TVS eram levemente diagonais. Contudo, ambas tinham o intuito de representar coincidentemente o número dos seus respectivos canais (11, no caso).

No início da década de 80, iniciou-se a adoção do termo “SBT” ou “Sistema Brasileiro de Televisão” para designar a rede formada pelos diversos canais afiliados espalhados pelo país. No decorrer desse período, portanto, as duas nomenclaturas eram utilizadas e a mesma linguagem visual para ambas. E isso trazia certa confusão de identidade. Mas no final dos anos 80, esse problema acabou  com a extinção do nome “TVS”.

evolução marca sbt

Enquanto isso, a marca e as vinhetas foram se renovando. E para isso, espelhando-se nos modernos projetos gráficos de sua concorrente Rede Globo, o SBT/TVS buscou outra referência norte-americana que tinha uma linguagem estética moderna semelhante, mas menos abstrata, com um maior apelo popular: o canal ABC.

A similaridade das vinhetas institucionais se estendeu também para a marca do SBT, que baseou-se quase que totalmente na marca do ABC, incluindo até a tipografia da logotipia  (igualmente constituída por três letras, contribuindo para a similaridade). E assim como o ABC, a marca do SBT tinha duas versões. Uma era monocromática composta por uma circunferência espessa com o logotipo SBT em seu centro. A outra era formada por cilindros coloridos formando um círculo que a apoiava o mesmo logotipo centralmente sobre ela.Essas duas versões semelhantes se alternavam na programação de forma aleatória, sem um critério claro, assim como as texturas, dimensões dos elementos e cores aplicados sobre elas. Isso combinava (e combina até hoje) com a instabilidade da programação que mudava de acordo com as oscilações da audiência e estratégias comerciais diferenciadas e inconstantes.

Nessa época, o TVS Canal 4 (ou SBT) apresentava ainda algumas vinhetas que demonstravam esse estilo gráfico confuso e nenhum pouco original. Em duas delas, inspirada claramente em uma vinheta da HBO, a marca apresentava-se prateada em meio a uma exagerada profusão de efeitos e luzes que pareciam sair de um filme de ficção científica, além de uma trilha sonora imponente.

Em outra, um pouco mais minimalista, trazia alguns prismas tridimensionais e cilindros coloridos flutuantes lembrando alguns institucionais da Rede Globo e da ABC.

No início da década de 90, agora somente denominada de SBT, a marca dos cilindros coloridos foi a mais empregada nas vinhetas, recebendo mais detalhes e nitidez com o progresso da computação gráfica. Mas em 1996, nos seus 15 anos, o canal voltou a seguir os passos da ABC, substituindo assim os cilindros por um disco metalizado com reflexos multicoloridos e que continuam sendo usados até hoje. No entanto, no caso da ABC, foi adotada uma versão totalmente negra do disco. Mesmo assim, o SBT não deixou de aproveitá-la em algumas ocasiões, como nas aberturas do SBT Brasil e do SBT Notícias (que, por sinal, também foram copiadas dos jornais mais populares da ABC).

marca sbt

Outra emissoras que serviram de “inspiração” para as vinhetas do SBT nesse período foram a NBC e a CBS.  Muito semelhantes aos dos respectivos canais, as vinhetas do SBT destacavam cenas de programas e artistas da casa com jingles empolgantes e slogans marcantes. “Quem Procura Acha Aqui” (1989), “Aqui Tem” (1992), “Se liga no SBT” (1993), “A cara do Brasil” (1998) e “Na nossa frente só você (2000)” são alguns deles.

Após o ano 2000, o SBT começou a apresentar algumas propostas um pouco mais originais, ainda a partir de sua linguagem visual mais popular (considerada até brega por alguns), com representações mais icônicas. Em várias situações inusitadas e até surreais, a marca aparece construída por robôs, formada em fábricas metalúrgicas, exposta como um luminoso gigante no meio de uma cidade, carregada em helicópteros de guerra sobre uma cachoeira ou magicamente trazida por uma mulher sobre uma ponte de vidro no meio de uma floresta.

Intercalando com todas essas “viagens”, outras vinhetas, como de costume, continuam apresentando os apresentadores, atores, entre outros artistas. No entanto, esses artistas deram espaço também para aqueles funcionários que ficam atrás das câmeras, além do grandioso complexo Anhanguera.  São agregados ainda aos vídeos, videografismos tridimensionais no melhor estilo “hi-tech”. Tudo isso com um objetivo claro: enaltecer de forma mais direta a estrutura e as capacidades técnicas e profissionais do SBT para um público telespectador menos elitizado, que se identificam com o perfil do carismático Silvio Santos e adoram consumir as mais recentes novidades enlatadas trazidas por ele, não só dos Estados Unidos, mas como de toda a América Latina.

>>> Postado por André Luiz Sens

>>> Contribuições: Tele História, Televisionado e o Baú do Silvio

(atualizado em 19.08.2010)

Chamadas da novela Negócio da China.

Depois da “overdose” da cultura chinesa proporcionada pelos jogos olímpicos de Pequim, a Rede Globo já começa a veicular em sua programação as chamadas da próxima novela da seis Negócios da China, que promete trazer mais um pouco dessa temática. E isso é evidenciado no divertido conceito do comercial, que tenta simular o que seria a mesma chamada em um televisão chinesa, que inclui até uma legenda em chinês e uma intérprete de surdo-mudo em trajes orientais.

Além do vídeo tradicional, a campanha inclui as chamadas surpresas inseridas nos créditos finais das três novelas, estratégia que começou a partir da novela Três Irmãs. Nelas, pequenas e carismáticas personagens, como um ninja e uma chinesa típica (com uma linguagem baseada no Toy Art, movimento da moda atual e também iniciado na China), invadem a tela para soar um gongo e anunciar a data de estréia da novela.

Postado por André Luiz Sens.

Abertura de Mad Men ganha o Emmy Awards 2008.

O Emmy Awards, o Oscar da televisão norte-americana já divulgou os vencedores de suas categrias técnicas. E Mad Men, do canal AMC e transmitido no Brasil pela HBO, ganhou o prêmio como melhor abertura (Outstanding Main Title Design).

Dos produtores de Os Sopranos, Mad Men se passa em Nova York e tem como temática principal o mundo da publicidade na sociedade e cultura americanas da década de 60, destacando aprincipalmente as campanhas de cigarros e bebidas, o sexismo e o racismo.

Já abertura foi criada pela produtora Imaginary Forces e traz claras referências aos trabalhos do designer Saul Bass, como a abertura repleta de prédios North by Northwest (1959), de Alfred Hitchcock, e o cartaz do filme de Vertigo (1958). Nela, um homem de negócios formado apenas por uma silhueta monocromática se encontra em queda livre entre grandes arranha-céus, além de pôsteres e outdoors de campanhas publicitárias da época. Ao final, o mesmo homem aparece em uma confortável poltrona, como um verdadeiro “poderoso chefão”.

Saul Bass foi também referência de uma produção brasileira recente, a novela A Favorita da Rede Globo, no qual podem ser encontradas semelhanças, desde a linguagem visual até mesmo a trilha sonora.

Confira também as séries concorrentes de Mad Men na mesma categoria: “Chuck” (Imaginary Forces), “Bernard And Doris” (yu+Co), “New Amsterdam” (Pure NY) e “The Company” (Digital Chicken).

Segue abaixo a abertura de Mad Men e de sua principal inspiração:

Abertura Mad Men

Abertura de North by Northwest ( 1959 )

Postado por André Luiz Sens

(Graças ao Brainstorm #9 e Motionographer)

Abrindo a Novela: Três Irmãs.

Estreiou ontem a nova novela das sete da Rede Globo: Três Irmãs. A história central é formada a partir de três irmãs com personalidades e histórias diferentes vivendo em uma praia paradisíaca onde o surfe é a principal atividade e um dos temas mais presentes na trama.

E todo o ritual que envolve o esporte é mostrado em sua abertura. Apenas com um grande diferencial, comparado a outros vídeos do gênero: os protagonistas do vídeo não são os surfistas, mas sim o seu principal instrumento para realização da atividade: as pranchas. Tanto é que esses objetos ganham vida, através da animação das variadas estampas coloridas que as envolvem, como os tradicionais hibiscos e as composições geométricas. Além dos grafismos, as imagens das belas três irmãs se intercalam também como reflexos sobre as pranchas, para reforçar o motivo do título.

As pranchas voltam mais uma vez na assinatura gráfica final, com intuito de simbolizar as personagens principais que dão nome ao título, ao mesmo tempo reforçar a idéia central da abertura e o conceito da própria novela. No entanto, a associação do trio protagonista com as três pranchas pareceu um pouco deslocada, tendo em vista que só uma delas realmente surfa ou tem uma relação direta com o esporte.

Mesmo assim, ao som de uma adaptação abrasileirada de Don’t Worry Be Happy” cantada por Mart’nália, nos é sugerido que relaxemos, enquanto que as cenas se desenrolam em ritmo, lento, calmo e leve. Tudo com muito sol, paisagens e pessoas bonitas, enaltecendo bem o espírito e os pontos fortes da novela.

Postado por André Luiz Sens