A Internet afinal não matou a televisão, independente do que foi precipitadamente profetizado por alguns críticos afoitos. Esse é justamente o problema com previsões. Na atual era transmidiática, neste novo ecossistema de conectividade no qual estamos inevitavelmente inseridos, somos ainda tão verdes quanto éramos na década de 60, quando a TV começou a invadir os lares e transformar hábitos. Por isso é recomendável limitar-se, ao menos por enquanto, a apenas opiniões informadas, evitando declarações categóricas. O importante é ficar atento às mudanças, que não serão poucas. E neste caso me dou ao luxo de ser bem categórica.
A TV e a web têm mostrado até agora que, a partir do momento que atuam em conjunto, abre-se um imenso leque de oportunidades tanto para anunciantes como para produtores e consumidores de conteúdo. De fato, como defende Frank Rose, as linhas divisórias entre produtores/consumidores, conteúdo/marketing e ficção/realidade estão desaparecendo.
Um dos exemplos desta colaboração entre as duas plataformas é a TV Social. Listada pelo MIT Technology Review como uma das “Top 10” tendências de 2011, a TV Social tem sido objeto de discussão não apenas entre os especialistas em tecnologia, mas também marketing e publicidade. Da mesma forma, a TV Conectada e a TV Everywhere se destacam no mercado atual. Mas afinal o que é tudo isso? Com base em artigos dos especialistas Elspeth Rountree e Nick Demartino, aqui vai uma tentativa de esclarecer estas novas tendências:
TV SocialO que é: Refere-se ao aspecto comportamental da nova audiência, que assiste TV ao mesmo tempo em que compartilha suas opiniões com comunidades de amigos online. Leia mais aqui e aqui. Como funciona: Este compartilhamento se dá tanto via redes sociais como Twitter e Facebook, assim como através apps especialmente desenvolvidos para plataformas móveis. O mercado de apps é bastante competitivo, e embora GetGlue seja o mais popular no Brasil, existem vários similares como Miso eYap.TV. Estes apps permitem que os usuários não apenas divulguem os programas que estão assistindo (fazendo check-in, exatamente como um “FourSquare televisivo”), mas também troquem idéias com outros fãs e sejam recompensados com adesivos e emblemas (ver imagem) pelo seu nível de dedicação. O Tunerfish faz o mesmo, mas inclui também webséries. IntoNow é um app que reconhece qualquer conteúdo passando na TV através do sinal de áudio, semelhante ao que o Shazam faz com música. E o SnappyTV (exclusivo para iPhone, por enquanto somente disponível para alguns territórios) permite que, ao assistir um programa, o espectador clique em uma cena e a compartilhe via Twitter ou Facebook. TV ConectadaO que é: É, literalmente, a TV conectada a Internet. Como funciona: O conteúdo é acessado diretamente, sem precisar dos intermediários (neste caso os canais de TV). A conexão pode ser feita através do próprio aparelho de TV, além de Blu-Ray ou consoles de game como Xbox 360/Live. Marcas como Samsung, Sony e LG já produzem modelos que podem ser conectados a Internet. O conteúdo pode ser acessado via video on demand (VOD) como Netflix, Hulu, YouTube e Amazon, além dos serviços oferecidos pela Apple, Yahoo e Google. TV EverywhereO que é: A TV em toda parte, em todo lugar. Como funciona: O conteúdo televisivo pode ser acessado de qualquer lugar, seja através de mídias móveis como tablets ou celulares ou computadores de mesa. O Reino Unido foi um dos pioneiros neste serviço, e hoje os programas da BBC, ITV e Channel Four ficam disponíveis durante uma semana online (somente se acessados através de um endereço IP britânico). Nos EUA canais como a Warner, CNN e HBO também já disponibilizam o serviço. No Brasil foi recentemente lançado o MUU, que oferece aos assinantes da NET acesso online a 1.400 horas de conteúdo da Globosat. |
Junto com este arsenal tecnológico vêm também, é claro, novas oportunidades de promoção, patrocínio e publicidade para anunciantes. Marcas como Mercedes Benz (que patrocinou a transmissão do Oscar nos EUA) e Gap já estão experimentando com o universo dos adesivos do GetGlue, que estão virando mania. É possível ganhar, por exemplo, adesivos que dão 40% de desconto nas lojas Gap, ao fazer check-in em um dos programas patrocinados pela marca.
Independente do que possamos estimar sobre o futuro da televisão, somente o tempo irá dizer o que é modismo e o que realmente veio para ficar. Mas talvez (destaque para o “talvez”) possamos arriscar dizer que a questão comportamental é a que mais merece a atenção dos marketeiros. Pois, independente dos apps, serviços, aparelhos e modismos, vale ficar de olho NO QUE a audiência está compartilhando e em COMO ela está se relacionando com o conteúdo que decide compartilhar. E para isso estão surgindo novas métricas que irão deixar os tão cobiçados níveis da audiência literalmente no século passado. Mas isso já é assunto para outro artigo.
Em tempo: para quem está interessado no debate sobre os apps da TV Social e a TV Conectada, dois importantes eventos se aproximam: o Seminário TV.Apps, em São Paulo, dia 8 de novembro, e o 9º Encontro Internacional de Televisão, parte do Festival Internacional realizado pelo IETV, no Rio de Janeiro, dia 22 de novembro. #FicaADica.














Olá Sheron, primeiramente bem-vinda à equipe do blog. ^^
Muito bom seu post sobre o que vai ser a tv daqui pra frente. As pessoas, desde sempre, querem que as novas tecnologias matem as que já existem, um sadismo que nunca compreendo. Ninguém consegue entender que, na verdade, hoje em dia, as coisas estão caminhando para a convergência de mídias.
A internet não matou os livros, nem o hábtto da leitura, vide o prórpio blog, também não matou a música, só mudou a base onde acessamos a essas mídias.
Muito bom seu apanhando de aplicativos que visam a reunião de conteúdo e comentários acerca da programação.
Torçamos para que os executivos percebam que assitir televisão não significa sentar-se no sofá e ver uma tela grande no meio da sala, é mais que isso.
Espero ansioso por novos posts. Até a próxima.
Que bom que vc gostou do artigo Felipe! É um prazer fazer parte desta equipe. Já estou pensando no próximo! ;-)
Bem-vinda a equipe Sheron!
Esse assunto é bastante pertinente. Acredito que um dos principais desafios da televisão interativa é trazer justamente conteúdos que estimulem efetivamente essa interatividade no próprio aparelho, na mesma intensidade que já vem se disseminando em outras mídias, com seus aplicativos em celulares e internet.
Espero que venham logo outros posts como este.
:)
bem interessante e meus parabens
Sheron, ótimo post!
Bem instrutiva a parte sobre diferentes nomenclaturas das emergentes interligações entre televisão e redes digitais.
Li em um artigo do Lost Remote que as novas configurações de usuário do Facebook permitem que a pessoa compartilhe o que está assistindo em aplicativos de vídeo como o Hulu disponíveis na própria rede social. Assim, quando, por exemplo, eu assisto a um episódio de uma série e compartilho no Facebook, meus amigos podem comentar e até assistir ao mesmo episódio sem sair da plataforma. Cool! =D
(Fonte: http://www.lostremote.com/2011/09/22/how-facebook-just-kicked-social-tv-into-high-gear/)
Pena que o Hulu não funciona no Brasil. Aliás, acho que essa é uma questão importantíssima para o crescimento da TV Social. Os acordos de direitos internacionais de transmissão ‘atravancam’ a distribuição do conteúdo televisivo em âmbito mundial. Acho que a dinâmica da internet não é compatível com limitações baseadas em territórios geográficos, é preciso repensar as formas de levar o conteúdo ao público nesse contexto.
Fiquei com uma dúvida relacionada a datas: a TV Social não foi escolhida como Top 10 tendências de 2010, e não de 2011, pela Technology Review? Pergunto porque vi outra lista TR10 publicada em 2011, no link http://www.technologyreview.com/tr10/
Ah, e você já testou o Miso e o Yap.tv? Eu só uso o GetGlue por enquanto, acho ele bem viciante hehe
Parabéns pelo texto e aguardo as próximas contribuições
oi Maíra! Pois é, a questão dos direitos atravanca o crescimento deste mercado. Olha o tempo q levou para termos uma iTunes Store brasileira, por exemplo. E mesmo assim com várias limitações. Mas sou otimista. As coisas estão acontecendo muito rapidamente, e se o conteúdo não é disponibilizado “oficialmente”, ele encontra um jeito de chegar ao público, de uma forma ou de outra. Mesmo q esta forma seja ilegal. Os produtores de conteúdo estão se conscientizando disso.
Qto ao artigo do Technology Review, eu não me expressei de forma totalmente clara. TV Social foi listada entre as Top Trends “PARA” 2011, e não “DE” 2011. Well spotted.
Qto aos apps, já testei o GetGlue e o Tunerfish, e os apps dos canais ingleses, que uso desde 2009. Pena que agora estando no Brasil eles nao
funcionam… O BBC iPlayer é tuuudo de bom…
Que bom q gostastes do artigo! Seguimos nos encontrando na rede :-) bjs