Abertura: O Astro [2011]

Estreou na Rede Globo nessa terça-feira o remake da novela “O Astro”, transmitida pela primeira vez em 1977.  A trama gira em torno de Herculano Quintanilha (Rodrigo Lombardi), um mágico e vidente de pouca relevância que, com o tempo, passou a exercer forte influência na vida do empresário libanês Salomão Hayala (Daniel Filho) e de sua família.

Na primeira vez que foi ao ar, a novela parou o país em seu último capítulo quando foi revelado o nome do assassino de Salomão Hayala. Esse foi o primeiro “Quem matou?” a mexer com o país.  Anos depois, ele foi ofuscado pelo “Quem matou Odete Roitman?” de “Vale Tudo”.

A emissora trata o novo “O Astro” como a “novela das 11″, inagurando uma nova faixa de novelas na Globo. Contudo, ela terá menos capítulos que uma novela convencional.  Serão 60 ao todo, em uma homenagem aos 60 anos da telenovela brasileira. Essa, no entanto, não é a primeira vez que a Rede Globo tenta introduzir um quarto horário de novelas. Em 1990, a emissora lançou “Araponga” às 21h30 numa tentativa de conter a audiência de “Pantanal” da Rede Manchete. A ideia foi logo abandonada logo, por conta da baixa audiência.

Mas vale lembrar que produções anteriores como “A Muralha” (2000), “Hilda Furacão” (1998) e “A Casa das Sete Mulheres” (2003), passadas nesse horário norturno, eram, na verdade, novelas intituladas de maneira diferente, em um estratégia comercial de enobrecer esses produtos e destacar o maior requinte e cuidado investidos neles. Com a introdução do conceito das séries e temporadas ao canal, assim como os empregados na tevê americana, o termo “minissérie” ou “macrossérie”  tornou-se bastante incoerente.

Para a composição da abertura desse remake, foram aproveitados alguns elementos da primeira vinheta, como o esoterismo, o mistério e a presença do protagonista entre as cenas. Mas diferente da vinheta anterior, houve um trabalho bem mais acabado e conceitualmente mais interessante.

No entanto, mesmo que a trama aborde o mundo da magia e adivinhação de modo mais amplo, a abertura utilizou em sua maioria conceitos ligados aos Signos do Zodíaco. Escolha que evidenciou a relação com o próprio nome do folhetim e trouxe o foco a uma ciência exotérica bastante popular.  

No início da abertura vemos apenas as mãos fechadas de Herculano. Quando ele as abre, vários pontos luminosos explodem e formam todo o cenário virtual composto de nuvens e estrelas que ficarão no vídeo até o fim da abertura. Para efeitos narrativos ligados à história, essa cena mostra que ele carrega toda a magia e é dono do destino de toda a trama. Para efeitos especulativos, podemos supôr que Herculano seria um Deus, criador do universo, iniciador do Big Bang.

Um elemento curioso na vinheta é a sincronia entre as imagens e a música-tema “Bijuterias”  (a mesma da primeira versão). Durante o trecho da letra da música “Minha pedra é ametista”, por exemplo, são mostradas dezenas de pedras roxas lapidadas. No verso “Minha cor é o amarelo”, aros dourados zodiacais aparecem em cena.  Na parte  ”Se Vênus me ajudar”, uma ilustração do signo de Virgem aparece formada por pontos luminosos.

Apesar de tratar majoritariamente da astrologia, outros ciências místicas são também mencionadas, como o hipnotismo, através do relógios de bolso, a quiromancia, a partir da mão em riste de Herculano e a cartomancia, como o vôo de cartas.

Ao final, os elementos se fundem à imagem do olho de Herculano, como se tudo fosse uma ilusão criada ou controlada por ele.  Logo após, a pedra que compõe seu famoso turbante recebe efeitos brilhantes para evidenciar a origem dos poderes.

O logotipo da novela se mantém inalterado em sua construção formal, mas ganha novos acabamentos e efeitos, graças prinicipalmente aos avanços da computação gráfica.

Em geral, a abertura modernizou-se e resumiu bem a trama central, tudo de maneira bastante agradável, integrada e consistente.


Ficha Técnica

Ano: 2011
Canal: Rede Globo
Produção: Hans Donner, Alexandre Pit Ribeiro, Roberto Stein e Alexandre Romano
Trilha: “Bijuterias” (de João Bosco por João Bosco)

Contribuições

André Luiz Sens

O uso não convencional da Globoface

Na época da estreia da segunda versão de “Ti Ti Ti”, uma das discussões feitas nos comentários do blog foi sobre o uso da Globoface na apresentação de créditos da novela. Entre as observações feitas, estava o fato deles praticamente desaparecerem, já que estavam nos cantos da tela, com o corpo muito reduzido e em sua estética padrão: preenchimento branco com aplicação de sombra preta.

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Abertura: A Mulher Invisível

Assim como aconteceu com “Divã”, que após o sucesso nos cinemas ganhou uma versão em série para a TV, “A Mulher Invisível” teve sua versão estendida na Rede Globo.

Com algumas mudanças no roteiro central, a série continua a contar as dificuldades na vida de um homem que vê uma mulher perfeita ao seu lado, mas que ninguém mais pode ver. Selton Mello e Luana Piovani se mantêm nesses personagens, assim como no filme. Porém ganham agora a companhia de Debora Falabella, como a esposa de Pedro, uma personagem nova em relação ao cinema.

A abertura da série mostra uma imagem espelhada de um cenário de uma boate. Do meio dessa imagem, as personagens principais surgem dançando. Os nomes dos atores também aparecem do centro. Por fim, a tela deixa de ser dividida, mostrando-os 3 personagens juntos e, em seguida, encerrando com o logotipo do programa.

A vinheta não esclarece o enredo da história que vem a seguir e não faz referência também ao próprio nome da série. Talvez a intenção era falar sobre a dualidade na vida do homem que vê uma mulher que niguém vê e suas dificuldade por conta disso. Mas o que vemos é um espelhamento das cenas e não duas cenas semelhantes com leves discrepâncias, que nos poderiam remeter à tal dualidade entre a realidade e a fantasia.

O cenário também não nos diz nada sobre a história. Seria a vida de Pedro uma festa, uma bagunça, uma loucura?

Por fim o logotipo da série, o mesmo utilizado nos cartazes promocionais do filme, não faz sequer uma brincadeira sobre uma mulher que ninguém vê. A palavra “invisível” aparece escrita em preto com o fundo branco, ironicamente dando grande destaque a ela. Quando na verdade seria mais interessante que a palavra aparecesse em transparência ou em contorno, a fim de explicitar o conceito da invisibilidade. A forma como o logotipo entra, como se fosse uma cortina de fumaça, talvez seja a única peça da abertura que faz ligação com a trama.

Não precisaria ser óbvio o conceito de mulher invisível mas a equipe que produziu a abertura poderia ter brincado mais com o tema abordado na atração.

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Ano: 2011

Canal: Rede Globo

Visual

Produção: Conspiração Filmes

Som

Trilha: “ Quit and Go Home” (por Secrets in Stereo)

Abertura: O Astro [1977]

No dia 12 estreiará na Rede Globo o remake de “O Astro”, novela de Janete Clair, exibida em 1977. Mas diferentemente da versão da década de 70, a adaptação será apresentada em formato de macrossérie e, provalmente, com estruturas dramáticas um pouco diferenciadas.

A trama girava em torno de Herculano Quintanilha, um mágico e vidente de pouca relevância que, com o tempo, passou a exercer forte influência na vida do empresário libanês Salomão Hayala e de sua família. 

Para representar esse contexto, a abertura trazia  imagens simbólicas do mundo do esoterismo, como signos e mapas astrais, refletidas sobre rostos e pessoas em penumbra. Francisco Cuoco, o ator que representava a personagem de Herculano, aparecia juntamente na composição das cenas. No entanto, sua presença se mostrava bastante destoante da poética do vídeo, principalmente pela forma seca, constrante e pouco integrada na apresentação. Apesar desse detalhe, a trilha sonora composta por João Bosco, se encaixara perfeitamente aos movimentos e a temática da atração.

Como será a abordagem da nova versão? Em breve uma análise detalhada no blog…

>>> Ficha Técnica

Ano: 1977

Canal: Rede Globo

Visual

Produção: Rede Globo

Som

Trilha: “Bijuterias” , de João Bosco

Abertura: Macho Man

Depois de anos trabalhando atrás das câmeras, o diretor Jorge Fernando volta a atuar como protagonista, agora na série “Macho Man”, escrita pelo casal Fernanda Young e Alexandre Macahdo, responsáveis por um dos programas mais lembrados da TV, “Os Normais”.

A trama central de “Macho Man” é a história de Zuzu, um cabeleireiro gay que passa a se sentir atraído por mulheres depois de um acidente numa boate. A cada episódio podemos acompanhar suas descobertas sobre as mulheres e o sexo heterossexual em situações sempre carregadas de humor.

Essa drástica transformação de personalidade é aplicada também na abertura da série. Utilizando a técnica de stop motion, a equipe do estúdio Animaking (os mesmos responsáveis pelo longa “Minhocas – O Filme” ) criou um boneco de Jorge Fernando se preparando para sair à noite e escolhendo sua roupa numa arara. Ele vai escolhendo roupas cada vez mais extravagantes e brilhantes, dando a entender que nesse momento ele é gay e bem espalhafatoso, até que no final ele decide por um terno sóbrio, mostrando que agora ele virou hétero. No entanto, o detalhe do lenço cor-de-rosa ressalta que sua alma continua gay.

A abertura é carregada de elementos que se misturam para formar uma peça que traduz muito bem a trama da série. Utilizar de um boneco que lembra a famosa figura da Barbie, ou do Ken, sugere a ideia de que gays costumam brincar de boneca quando crianças, numa primeira manisfestção de sua sexualidade e também faz referência ao modo como os gays costumam tratar aquele homem que frequenta academia e tem um corpo malhado, as “Barbies”. A música tema, além de ter o mesmo título da série, virou um hino da cultura gay no final da década de 1970. Cantada pelo grupo Village People, a música tem ritmo dançante que lembra as discotecas.

O logotipo também consegue passar essa dualidade vivida pelo personagem. Com letras em preto e ângulos bem retos, a tipografia é sóbria e sem rebuscamentos, porém atado a ela está o lenço cor-de-rosa que o boneco usa, balançando como se estivesse na frente de um ventilador, sendo notado. Outro elemento do logotipo que brinca com a situação vivida por Zuzu é a letra O, substituída pelos símbolos astronômicos do planeta Marte e Vênus e que passaram a representar os sexos masculino e feminino na cultura geral. No logotipo a mescla dos símbolos aparece inclinada para baixo, como se representasse um homem não muito viril, com características de mulher.

A produção da abertura é bem acabada e traz elementos que vão se revelando aos poucos, não estão totalmente entregues, e isso se torna mais um elo de ligação entre a trama e a vinheta.

>>> Ficha Técnica

Ano: 2011

Canal: Rede Globo

Visual

Produção: Rede Globo e Animaking

Som

Trilha: “ Macho Man” (de Village People por Village People)

Seleção Televisual: Aberturas Dançantes

Como representar em apenas um minuto uma história de paixões, loucuras e muitas reviravoltas? A dança talvez possa ser uma ótima metáfora. Ao longo dos anos, Hans Donner e sua equipe utilizaram justamente o baile nos mais variados ritmos em diversas aberturas de novelas da Rede Globo.

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Abertura: Lara com Z

Aproveitando-se de “Cinquentinha”, minissérie exibida no final de 2009, o autor de novelas Aguinaldo Silva pegou uma das protagonistas do programa, interpretada por Suzana Vieira,  e deu a ela uma série, “Lara com Z”.

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Abertura: Divã

Depois de passar pelo teatro e pelo cinema em adaptações bem-sucedidads feitas por Lília Cabral, o livro “Divã”, de Martha Medeiros, chega à tv pelas mãos da mesma atriz, que interpreta a protagonista Mercedes em todas as adaptações.

Como o nome pode sugerir, a série conta as experiências que Mercedes passa no divã de um psicanalista, contando sua vida de divorciada, mãe de dois meninos adolescentes, dona de casa e artista plástica.

A abertura traz essa experiência para apresentar o programa. No início bem rápido vemos uma caricatura da personagem caindo numa espécie de túnel com cara de medo, como se estivesse perdida em sua vida e seus dilemas, e vários objetos passam por ela, simbolizando as dificuldades de sua vida. Até que ela cai num divã e, na segurança que ele lhe dá, ela passeia por cenários fantásticos representando cada pedaço de sua vida como trânsito, homens e artes. Nessa viagem o semblante da personagem é mais tranquilo, dando-nos a impressão de que ela passa sem problemas por tudo, só de ter o divã como apoio.

A viagem termina com a personagem num cenário neutro e, como uma prancha de mistura de tintas, os elementos se fundem no logotipo da série, uma representação estilizada de um divã.

A abertura é muito interessante por usar um recurso lúdico – animação tradicional quadro a quadro em duas dimensões – para mostrar a vida de Mercedes ao invés de se ater a cenas captadas da própria atriz. É como se a viagem fosse feita na mente e nos sonhos da personagem, ambientes que nos dão liberdade para construir mundos a nosso bel-prazer. Segundo a ciência, os sonhos são uma maneira de o cérebro nos preparar para situações vindouras. É uma representação complexa que ganhou delicadeza na maneira com que foi apresentada.

A ressalva a ser feita está na simplicidade da animação da personagem, com poucas expressões e muito dura.

Fora isso, a abertura é carregada de conceitos e se encaixa bem na proposta da série.

>>> Ficha Técnica

Ano: 2011

Canal: Rede Globo

Visual

Produção: Rede Globo

Som

Trilha: “Quereres” (de Caetano Veloso por Nise Palhares)