A nova microssérie da Rede Globo, “O Brado Retumbante”, conta a história de Paulo Ventura, um deputado com pouca relevância que, por uma manobra de poderosos políticos, acaba sendo eleito Presidente da Câmara dos Deputados. Após um grave acidente de helicóptero em que o Presidente e o Vice-Presidente da República morrem, Paulo se torna o chefe da nação e inicia um mandato com a promessa de limpar a corrupção no país.
A curta vinheta de abertura da microssérie não faz referência à trajetória de Paulo Ventura até chegar à Presidência da República, mas tenta narrar a própria história da construção do país através de uma viagem num túnel do tempo estilizado e cheio de símbolos.
A primeira cena faz referência a pinturas indígenas, com linhas diagonais, mostrando os primeiros moradores do nosso país. À medida que a câmera se afasta vários elementos vão sendo adicionados à tela numa referência, principalmente, à colonização portuguesa. Em determinado momento um círculo azul que se assemelha aos clássicos azulejos portugueses cobre o padrão do início, sinalizando a dominação da cultura indígena pela cultura portuguesa.
Outros elementos entram na composição pelas laterais do túnel se referindo às outras nações e culturas que vieram ao Brasil e ajudaram a construir nossa identidade.
Por fim uma espécie de brasão com estética barroca cobre a tela fazendo a transição para uma composição cheia de elementos que mostra a mistura de cultura no Brasil e também lembra o símbolo oficial da República.
Além de contar a história da construção da identidade brasileira através de simbolismos, podemos perceber uma referência estética a cédulas de dinheiro, sempre feitas com muitos elementos combinados como linhas, desenhos figurativos e brasões estilizados. Como o tema central da microssérie é corrupção e poder, essa associação se faz pertinente.
O logotipo aparece tomando conta da tela através da sobreposição de cores chapadas e grafismos na imagem anterior formando uma moldura, apresentando uma estética mais antiga, que mistura referências a diferentes períodos históricos. As palavras “O Brado” aparece em uma perspectiva acentuada que nos remete a um grito, um anúncio de grande importância e tem aspectos mais modernos. A palavra “Retumbante” está localizada numa flâmula com aspectos mais clássicos e que denota imponência e exclusividade.
A trilha sonora alude ao som de bandas militares por conta das batidas ritmadas em tamboretes presentes em toda a vinheta e também por outros instrumentos mais suaves que fazem com que a música ganhe um crescente, como se Paulo Ventura fosse símbolo da salvação do país.
A vinheta curta só apresenta os créditos de autoria e direção, deixando o elenco para as cenas da microssérie no corredor da história, uma prática muito comum nas produções norte-americanas. O problema está no uso da Globoface, que empobrece um pouco a ideia e não dá personalidade à obra.
Com tanto a ser contado esperava-se que fosse feita uma abertura mais longa, mais imponente e que pudesse se amarrar melhor ao tema e ao nome da microssérie.
Abertura
Ficha Técnica
Ano: 2012
Canal: Rede Globo
Produção: Hans Donner, Alexandre Pit Ribeiro e Roberto Stein



















O problema realmente foi a Globoface. Engraçado que a Globo ironicamente não usa o Globoface nas chamadas e sim uma fonte imponente que poderia ser usada também na abertura.
Ei galera do Televisual será que vocês poderiam fazer um post sobre o novo Rebrand da HBO Latin America para 2012
e o do vmb?
e um da abertura da novela do SBT “Corações Feridos”??? Que mostra uma face estilizada bem legal