Na tentativa de recuperar sua audiência depois de Máscaras, a Rede Record escalou para seu principal horário de novelas uma história com um drama leve e bem-humorada. Escrita por Gisele Joras, “Balacobaco” conta a história de Isabel (Juliana Silveira) uma moça que se separa do marido pilantra e vê sua irmã e seu cunhado serem mortos por uma lancha pilotada pelo vilão da trama. Antes de morrer, a irmã de Isabel revela que sua filha é de outro homem. Ela, então, cria Taís e vai em busca do pai da garota.
Usando o estilo gráfico e a narrativa clássicas de desenhos animados estilo Looney Tunes com brigas e armadilhas mirabolantes e engraçadas, a abertura captura a caricatura e leveza da trama. Nesse caso, uma garota em traços cartunescos foge das armadilhas do bandido, ao mesmo tempo em que corre para pegá-lo e enganá-lo.
Entretanto, a história de apresenta maneira inusitada. A estética é baseada em filmagens em estilo stop-motion em pinturas de paredes, formando diversos efeitos e animações. Entre esses vídeos, destacam-se os trabalhos colaborativos do grupo Blu.
Animação de Pinturas em Paredes
No caso da vinheta, a estética se manteve, mas a ferramenta utilizada foi a computação gráfica, ao invés do live-action, provavelmente em virtude de uma otimização de tempo. Em razão disso, houve uma sofisticação nas interações entre os desenhos pintados, permitindo a aplicação em suportes além de muros e uma interação maior do cenário com a animação exposta nas construções.
Em termos de narrativa, a abertura apresenta pouca relação direta com a trama principal. Um dos pontos de ligação são as cenas da garota mergulhando, em referência a personagem de Isabel que pratica pesca submarina nas horas livres. Outro ponto é a busca pelo pai de Bia e a fuga do vilão da trama, dando até mesmo a entender que são a mesma pessoa.
O logotipo também apresenta pouca relação estética com a animação, mas a sua integração com a vinheta acontece de modo harmônico, o que ameniza isso. Um foguete com o vilão explode quando chega ao topo do prédio onde está um letreiro que compõe o título da novela. Com o choque as letras se desmembram e os filamentos de néon multicoloridos piscam freneticamente, fechando de forma bem humorada a vinheta.
O único pecado da abertura é a trilha sonora. Apesar de animada e repetir várias vezes o título da novela, o forró “No Balacobaco” cantada pelo grupo Brasil Company, destoa da linguagem urbana e moderna da animação, mas não chega a ser um grande problema, por conta de seu ritmo empolgante.
A abertura de “Balacobaco” se mostra um grande acerto da equipe de produção da Rede Record, depois de vários tropeços. É dinâmica, bem humorada, moderna e consegue usar uma linguagem juvenil sem parecer um produto feito para crianças.
A vinheta foi uma parceira entre a equipe de criação da própria Rede Record e a produtora paulista Split Filmes, que nos concedeu uma entrevista exclusiva contando alguns detalhes do trabalho de produção da abertura.
Entrevista: Split Filmes
Televisual – Qual foi a participação da Split Filmes na produção da abertura?
Split Filmes - A Split Filmes realizou toda a animação que foi aplicada sobre as sequências de vídeo gravadas na cidade de São Paulo. Ou seja, fizemos toda a animação da garota, do rapaz de chapéu, tubarão, água, etc.
Televisual - Como foi o breefing enviado pela Rede Record?
A Rede Record nos enviou desenhos conceituais dos personagens. A principal inspiração e norte do projeto foi o trabalho do grafiteiro Banksy. A partir desses desenhos conceituais, deveríamos animar os personagens seguindo um animatic que recebemos. O animatic é basicamente um vídeo com uma sequência de ilustrações que explicam aos artistas o que as personagens devem fazer, em quais momentos, e por quanto tempo, além de também expor à todos da produção questões como como serão os movimentos de câmera, ritmo, etc.
Além do traço estilo Banksy, precisaríamos reproduzir também um estilo de animação que parecesse com as animações que os grafiteiros fazem nas ruas, como por exemplo o artista Blu. Esta técnica de animação no formato de graffiti, na parede, é feita da seguinte forma: Primeiramente, o artista faz um desenho, na parede, geralmente com spray. Em seguida, ele fotografa o desenho. Depois, com spray ou um rolo com tinta, o artista cobre o desenho recém feito com tinta branca, de modo a “apagá-lo”. Na sequência, o artista faz um novo desenho, parecido com o anterior, só que mexendo um pouquinho. Uma nova foto é tirada, e o processo todo se repete, sucessivas vezes. Quando todas as fotos são sequenciadas, temos a impressão de movimento, a animação. No caso da abertura do Balacobaco, nós emulamos todo os processos digitalmente.
Televisual - Quais foram os maiores desafios enfrentados durante a produção?
Tivemos alguns desafios. O maior deles foi o prazo. Estivemos desde o princípio do projeto correndo contra o relógio. Nos organizamos aqui na Split em 3 turnos para dar conta de todo o processo.
Outro desafio foi conseguir manter as personagens no Model, ou seja, deixá-los em todas circunstâncias parecidos com os desenhos de referência que recebemos. No caso, como a produção foi corrida e apertada, os artistas da Record não puderam fazer muitas ilustrações que explorassem como o design das personagens deveria ser quando, por exemplo, arregalassem os olhos, levantassem ou abaixassem a cabeça. Então, num processo com prazo corrido, não tivemos muito tempo para poder explorar um padrão para cada um dos problemas que encontramos na produção.
Acho que o terceiro maior desafio foi ter feito as animações sem uma referência das sequências de vídeo no qual as imagens seriam aplicadas. Como já mencionado, por uma questão de prazo, nós tivemos que fazer as animações enquanto uma equipe da Record captava as imagens da cidade pelo centro de São Paulo. Tivemos alguns problemas em algumas cenas no qual havia um nível de interação maior entre personagens e o cenário gravado, como por exemplo a cena em que o rapaz gira a maçaneta da porta, ou toda a parte da lixeira. O processo de criação dos rastros é muito demorado, então qualquer pequena alteração relativo à enquadramento, ou mudança de ação também tornava-se um problema para a animação e para a equipe do acabamento. Felizmente, tudo foi bem resolvido.
Televisual - Quanto tempo e quantas pessoas estiveram envolvidos nesse projeto?
O processo de animação durou em torno de quinze dias, e da Split participaram no total 21 pessoas.
Televisual - Como surgiu a ideia de utilizar a técnica de stop motion usando desenhos de rua que são apagados e sobrepostos?
A ideia surgiu entre o diretor geral da novela e os diretores da abertura, o Julio Balasso e Icaro Felix Gonçalves.
Televisual - Que outras técnicas de animação/captação foram utilizadas na concepção da vinheta?
A parte de finalização foi produzida inteiramente pela Record. Lá, eles aplicaram em 3D as imagens que criamos sobre as sequências da cidade gravadas com câmera, de modo a deixá-las na perspectiva certa. Alguns elementos foram criados em 3D, como a explosão da lixeira, ou a própria lixeira. O logo da novela e a animação do mesmo, no final da vinheta, também foi feito em 3D pela equipe da emissora.
Abertura
Ficha Técnica
Ano: 2012
Canal: Rede Record
Produção: Rede Record e Split Filmes
Trilha: “No Balacobaco” (de Gabriel Neto por Banda Brasil Company)
Revisão e Atualização
04.01.2013






















Caramba, essa música ficou MTO nada a ver!
A abertura ficou muito boa, realmente a música destoou do resto.
Mas comparado a abertura da novela anterior, 10 x 0
Quem fez a animação?
Oi, Daniel,
Foi a minha produtora, a Split Filmes, daqui de São Paulo, que fez a animação 2D. Foi uma bucha, noites varadas em claro, correria –– mas valeu a pena :)
Abração!
Então 1000000X melhor que Máscaras realmente a Record se tocou e depois de muito tempo conseguiu fazer uma abertura boa, so a musica que não combinou muito mas a novela da concorrente (Avenida Brasil) tambem não usou uma musica que combine,mas não com a abertura e sim com a novela.
Quando que sai o analise de abertura da nova temporada de American Horror Story???