Em homenagem ao diretor da série o Sítio do Picapau Amarelo, Geraldo Casé (que morreu ontem), relembre as aberturas, desde seu início, de um dos programas infantis mais importantes na televisão brasileira.
Os recursos técnicos há 40 anos atrás eram limitados. Mas a criatividade, no entanto, não tinha limites. Isso pôde ser notado nas primeiras aberturas. Em 1977, personagens e elementos estilizados feitos em cartão recortados e desenhados a mão apresentavam animações simples e algumas trucagens de vídeo.
Em 1978, a vinheta deixou clara a origem de todas as histórias do programa. Uma criança, ao abrir as páginas do livro, além de receber os textos das obras de Monteiro Lobato e ilustração das personagens, era surpreendida com algumas cenas do próprio programa.
Já a linguagem utilizada no ano anterior, voltou no ano seguinte, com ilustrações mais detalhadas. Mas nesse caso, os cartões não foram simplesmente animados. Eles serviram de máscara para imagens reais, ressaltando principalmente a natureza e os animais do sítio.
As ilustrações continuaram em 1980, mas completamente diferentes das utilizadas em 1977 e 1979. A vinheta era formada por desenhos visivelmente produzidos por crianças. Utilizava-se inclusive novamente a técnica de movimentação dos cartões, de maneira a animar os desenhos por elas produzidos.
No outro ano, as ilustrações foram eliminadas e a abertura contou somente com fotos das personagens do programa, que passavam como slides ou através da interferência de uma mão infantil. Em algumas cenas, as fotos seguiam uma seqüência, simulando uma ação.
De 1982 a 1984, são utilizadas cenas de um sítio comum que recebe a fantasia e o colorido, representados por um faixa de arco-íris que acompanha as formas do espaço rural, como as ruas, as montanhas e os rios. Hoje em dia, grafismos como esse ficariam muito associados ao movimento gay e provavelmente não seriam utilizados no contexto atual.
Em 1986, o colorido do arco-íris deu lugar ao colorido das araras, estrelas principais da abertura. A arara foi escolhida provavelmente por representar algumas características fortemente presentes na obra, como a brasilidade e a natureza.
Depois de uma grande pausa, a Rede Globo, em 2001, inicia a segunda fase do Sítio. E nesse momento, as possibilidades técnicas avançaram muito. Uma delas foi a computação gráfica e a utilização do recurso tridimensional, que permitiram ressaltar ainda mais a magia existente na obra de Monteiro Lobato, além de chamar a atenção de uma nova geração de crianças para suas histórias.
A primeira abertura iniciava com um pica pau “virtual” fazendo uma contagem regressiva para o programa começar. A partir dele, a idéia do livro, utilizada em 1979, ganhou uma nova roupagem. O livro, inspirado nos modernos exemplares infantis, com muitas cores, ilustrações e dobraduras, revelavam as personagens da história, que interagiam com os elementos das páginas.
Mais uma vez, em 2005, a linguagem do livro continuava. Mas nesse caso, as personagens permaneciam fazendo parte das páginas do livro, de forma ilustrada. Com isso, o movimento ficou por conta dos efeitos de dobradura que foram mais acentuados.
Em 2006, o destaque volta para os animais do sítio. Porém de uma forma inédita. Eles eram formados por fantoches que dançavam e emitiam sons que ajudavam a compor a trilha sonora.
A última versão da vinheta de abertura, em 2007, foi a que mais extraiu o lado mágico da série. As ilustrações em traço literalmente ganharam vida, auxiliados pelo polvilhar do pó de “pirlimpimpim”. Emília, Pedrinho, Narizinho, Visconde de Sabugosa, Dona Benta e Tia Anastácia foram transformados em versões animadas tridimensionais, com detalhes gestuais impressionantes.
A assinatura gráfica do programa, com uma tipografia arredondada e a estilização do sítio como fundo se manteve a mesma desde o primeiro programa, com algumas pequenas modificações cromáticas e formais.
Mesmo com arranjos e cantores diferentes, outra coisa que se manteve foi a inesquecível trilha sonora, composta por Gilberto Gil.
Abertura de 1977
Abertura de 1978
Abertura de 1979
Abertura de 1980
Abertura de 1981
Abertura de 1984
Abertura de 1986
Abertura de 2001
Abertura de 2005
Abertura de 2006
Abertura de 2007
Postado por André Luiz Sens
(Fonte: O Mundo mágico de Lobato)
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Julho 22, 2008 às 11:16 pm |
Por favor isso e um pedido de uma mãe que assistiu o sitio do pica pau amarelo na década de70 até 90. eu queria tanto que meus filhos tivessem esse mesmo prívilegio, porque vocês não fazem o reprise desse época tão maravilhosa.
Julho 23, 2008 às 2:07 am |
Simplesmente fantástica a idéia desse post. Percebi várias coisas ao ver as aberturas do “Sítio”.
Primeiro: o tempo de duração das aberturas. A primeira tinha quase um minuto e meio, a última ficou no usual 1 minuto de duração. O mercado de tv não permite mais que aberturas durem mais que um minuto para não fazer com que o telespectador mude de canal.
Segundo: a colocação dos créditos na tela. Até a década de 1980 os nomes dos atores e da produção ocupavam tela inteira, sobrepondo as imagens da abertura e causando uma confusão de informações. Nas últimas abeturas os crédito aparecem de maneira mais discreta, sem brigar visualmente com a composição gráfica.
Terceiro: a trilha sonora. Me pareceu que a cada ano a música do Gilberto Gil foi ganhando contornos mais contemporâneos, com novos arranjos. Apesar de o livro e o programa falarem sobre uma história que se passa no campo, a trilha sonora das aberturas tentam trazer a música para o contexto atual.
Quarto e último: a construção gráfica. A idéia de tirar do livro a história a ser contada foi mantida em todas as aberturas, como você mencionou, mas com os avanços da computação gráfica a abertura ganhou muito em riqueza de representação. Pôde-se explorar bem melhor a idéia de dobraduras, nas aberturas de 2001 e 2005, essa última a que eu mais gosto, e que já havia sido usada em outra abertura mais antiga. E a idéia de ilustrações do livro ganharem vida foi muito aprimorada na última abertura, que brinca com a perspectiva de uma maneira muito rica e interessante. A contrução gráfica, assim como a trilha sonora, acompanhou os avanços tecnológicos para mostrar para as crinaças de hoje, das cidades grandes, o universo do campo.
É uma interessantíssima aula de história esse post.
Parabéns
Julho 29, 2008 às 10:40 am |
[...] dos livros de dobraduras com técnica tridimensional. A mesma idéia das últimas vinhetas do Sítio do pica pau amarelo e de Sesame Street (2007). A assinatura se limitou a uma adaptação da marca americana, a [...]
Fevereiro 25, 2009 às 2:50 pm |
Pra mim, a melhor temporada do sitio foi a de 2005. assisti essa temporada inteira. Não achei graça na abertura de 1977.
Fevereiro 25, 2009 às 2:50 pm |
LEGAL