Em 2007 estreou na Rede TV a série Donas de Casa Desesperadas, baseda na série de sucesso americana Desperate Housewives. Infelizmente, a versão brasileira não vingou, sendo finalizada na primeira temporada. Mesmo assim, os responsáveis pela série no Brasil sempre se preocuparam em fazer algumas adaptações para se aproximar a realidade brasileira. No entanto, essas adaptações não se restringiram somente ao roteiro. O programa recebeu, por exemplo, uma abertura completamente diferente da original americana. Mantiveram-se, é claro, alguns elementos de identidade como as maças e a composição tipográfica e cromática da assinatura, mesmo com o nome distinto.

Na abertura original, são utilizadas referências artístico-visuais conhecidas de cada época onde mulheres foram inseridas, desde as ilustrações egípcias, passando por pinturas clássicas, realistas e renascentistas até a arte pop. Em cada uma dessas referências, são efetuadas algumas inteferências e animações que mostram que as pinturas não são uma representação fiel da realidade. Isso tudo é ratificado quando a abertura finaliza com as fotografias das protagonistas, em meio a árvores e cobras, segurando as maças “do pecado”, mostrando que as piores coisas podem estar muito bem escondidas por trás de uma bela aparência.

Embora utilize uma linguagem aproximada, através de uma técnica de animação bidimensional e planificada, o conceito da abertura brasileira é completamente diferente. Aliás, não só brasileira, já que essa foi utilizada nas adaptações em toda a América Latina. O foco está mais no mundo das donas de casa, assim como é evidenciado no encerramento da vinheta. Nesse mundo, incluem seus problemas, tarefas e cenários. A maça, elemento de identidade da série, ganhou mais destaque, envolvendo a maioria das situações. Contudo, ela perdeu algumas associações encontradas da abertura original como o pecado e as aparências. Talvez porque aqui, na América Latina, a idéia da perfeição e glamourização de uma dona de casa já parece algo incomum. Um significado mais apropriado para elas, segundo a nossa realidade, seria a de uma mulher “multifuncional” e com poucos recursos financeiros (já que as mais abastadas já possuem suas empregadas). Outra diferença acontece na própria trilha sonora que segue também uma batida mais nacional. Mesmo tendo como base a música utilizada nas demais aberturas latinas, a versão brasileira incorporou também um samba com seus batuques e pandeiros.
Abertura Desperate Housewives (versão americana)
Abertura Donas de Casa Desesperadas (versão brasileira)
Abertura Amas de Casa Desesperadas (versão argentina)
Postado por André Luiz Sens
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Julho 14, 2008 às 1:25 pm |
[...] É conhecida a popularidade das novelas brasileiras no resto mundo. E por isso estréia a coluna “Para Exportação”. Nela você verá aberturas de novelas e programas brasileiros em outros países. Em alguns casos, mantém-se a abertura original. Mas em outros, por decisões estratégicas e comerciais, a “embalagem” é modificada de acordo com os gostos e culturas locais. Fenômeno semelhante ocorrido na América Latina com o caso de Desperate Housewives e Donas de Casa Desesperadas (já comentado aqui). [...]
Abril 11, 2009 às 12:21 am |
[...] um livro, em uma dinâmina e linguagem que lembram outros projetos, incluindo a abertura da série Desperate Housewives (incluindo a versão latina). No entanto, no caso de United States of Tara, os destaques estão [...]