A MTV Internacional, que é transmitida em 64 países, acaba de dar um passo para atrás em busca da inovação. Ou seja, em seu mais recente rebrand, a famosa mutação da marca é eliminada, sobrando somente o símbolo em preto em uma caixa branca que “pulsa” nas novas vinhetas do canal. Pode parecer estranho, mas segundo a estratégia desenvolvida pela Universal Everything, responsável pela nova identidade, a marca é “sagrada” e por isso a força está nela própria, sem necessidade, portanto, de recursos estilísticos adicionais. Mas isso não quer dizer que a identidade perdeu sua irreverência, jovialidade, surrealismo e um pouco do conceito visual cambiante. As belíssimas, bem produzidas e diferenciadas vinhetas demonstram isso. Já a mutação fica por conta das chamadas que recebem uma variada lista de tipografias decorativas para os letterings que se adequam de acordo com o programa anunciado.
A MTV Brasil, que apresenta uma linguagem gráfica própria, que se distingue da MTV Internacional, parece já mostrar há algum tempo essa tendência de não interferir na marca de forma aleatória em suas peças. Mas, por outro lado, revela um amadurecimento maior no tratamento com ela. Isso fica visível no refinamento mais coerente e inteligente do símbolo por eliminar alguns traços e elementos desnecessários para pregnância, como as palavras “Music Television” e a dispensável marca de registro. Ou seja, enquanto estratégia de marca, a versão brasileira parece ter um argumento visual mais consistente, mas as vinhetas produzidas para os demais países que estão utilizando essa linguagem da MTV Internacional são de cair o queixo.
>>> Segue abaixo o primeiro post do novo colaborador do Televisual, Felipe Teixeira:
“Já faz não sei quantos meses que o André havia me convidado para contribuir com o blog e eu sempre enrolei para escrever alguma coisa. Diferente dele eu não fico tão antenado quanto gostaria nas novidades no mundo da TV. Vejo os comentários dele e depois teço meus longos comentários que são quase postagens.
Bom, estava eu navegando pelo twitter do blog e vi um comentário sobre a marca da minissérie “Som & Fúria”, que estreia nessa terça-feira na Globo. O comentário falava sobre estragar o logotipo do programa assim como fizeram com a novela “Caras & Bocas”.
Primeiro que eu achei muito boa a marca, cores fortes e bem conflitantes, assim com o nome sugere e como a série se propõe a ser, depois que eu também gosto da marca da novela, principalmente pelo fato de que as cores são mutantes e que também tem a ver com o enredo da novela.
Mas esse post nem é pra defender a marca mas sim para analisar como Hans Donner e sua equipe têm feito muitas autorreferências em seus trabalhos, principalmente na construção de logotipos. Temos esse caso apresentado, a minissérie “Som & Fúria” e a novela “Caras & Bocas”, em que até mesmo o uso do “&” se faz presente, além das cores bem conflitantes e chapadas, sugerindo confusão.
Tem outro caso que me lembro agora: A novela “A Favorita” e a série “Guerra e Paz”. Analisando os logotipos podemos perceber que conceitualmente e visualmente as marcas se parecem muito. Em ambos os casos os programas falavam sobre conflitos de interesses entre duas pessoas e o jeito de evidenciar isso no logotipo foi usar uma tipografia com ângulos retos, quase sem compensação de espessura em que uma palavra era escrita em preto aplicada num fundo branco, enquanto que outra fazia o inverso, escrito branco num fundo preto. E para determinar que havia não só uma diferença de atitudes mas também uma briga entre os personagens usou-se um elemento vermelho separando as palavras e também o fundo. Na novela era uma linha vermelha que separava a palavra por inteiro e fazia com que uma parte se delocasse para um dos lados. Na minissérie uma linha cortava a tela e a letra “E” ficava em vermelho.
Posso citar ainda outros exemplos como os logotipos das novelas “Terra Nostra” e “Corpo Dourado”, ambas com uma palavra escrita no modo normal e outra como se estivesse deitada num solo.
O que mais chama a atenção nos dois primeiros exemplos é o fato de que os programas foram contemporâneos, então a exibição da chamada acontecia durante o intervalo comercial de um programa no outro, o que deixava ainda mais evidente essa autorreferência.
Me despeço agora e espero poder contribuir ainda mais para o blog, que eu adoro.
Até.”
>>> Postado por Felipe Teixeira
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Depois da divulgação da mudança do nome e da marca do canal Syfy, já estão sendo inseridas na programação do canal as vinhetas que revelam a mudança. Apesar da característica sofisticada atribuída a marca, as peças produzidas pela excelente produtora Blind, mostram uma irreverência através de situações surreais que ilustram com clareza a ideia do slogan “Imagine Greater”. Ou seja, ficou explicitado que as atrações do canal surpreendem de forma ainda maior do que o grandiosamente imaginado, assim como o próprio rebrand. E tudo isso é conseguido através de uma ambiente tridimensional de certa forma aparentemente paradoxal, isto é, simples, formado por objetos e cenários minimalistas e predominantemente brancos, bem como se apresenta também a nova marca. A aplicação de outras cores e texturas, aliás, são extremamente pontuais. Contudo, o modo como esses elementos são integrados, aliados a uma animação bem executada, conferem mais força ao trabalho e reforçam ainda mais o novo conceito do canal.
Gostaria de agradecer a todos que votaram no Televisual para o prêmio Top Blog. Graças aos seus votos, esse blog já está entre os cem mais votados na categoria Comunicação.
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Isso contribuirá bastante para uma maior divulgação desse espaço destinado a discussão sobre o design na televisão.
Neste final de semana aconteceu o Festival de Parintins com transmissão pela Band. E além da exuberância e colorido das fantasias e alegorias comparavéis aos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, pôde ser percebido um detalhe bastante interessante em relação a pequena marca do canal presente no canto direito da tela. Ela, dependendo do time presente na arena, mudou sua cor para vermelho ou azul, deixando de lado qualquer padrão visual estabelecido por sua identidade. Essa mudança cromática tinha aparentemente duas funções. No tradicional zapping era possível identificar rapidamente qual grupo, Caprichoso ou Garantido, estava se apresentando naquele momento. A outra parece estar ligada mais ao próprio conceito do canal. Para uma marca que substituiu historicamente suas cores originais – vermelho e branco – para o verde e o amarelo como uma clara aproximação da emissora a valores nacionais, nada mais natural fazer um concessão a um evento que exemplifica fortemente a cultura brasileira. Afinal a cor é o símbolo mais importante e caracterizador de cada um dos grupos nesse evento. Talvez da mesma forma ou até mais que o emblema identifica um time de futebol, por exemplo. Assim, “vestir” a emissora com esse símbolo seria o mais adequado para isso.
Outro exemplo de design que sofreu concessões por causa desse mesmo festival, foi a Coca-Cola que produziu uma embalagem exclusiva na cor azul para satisfazer os consumidores pertencentes ao time Caprichoso que recorriam a sua concorrente Pepsi como forma de supertição ou mesmo de uma paixão fervorosa que eliminava qualquer possibilidadade do consumo de produtos na cor vermelha.
Semana passada estreou no SBT a novela Vende um Véu de Noiva, baseada na obra original de Janete Clair e escrita pela Íris Abravanel. O nome da trama está relacionado a venda de um véu de noiva pela internet por parte da protagonista Eliana, cujo casamento não aconteceu por causa de um acidente de carro em que o casal se envolveu e resultou na morte do noivo. Além disso, outro fato importante na novela é um assasinato ocorrido em um cativeiro localizado na “Ilha do Profeta” no litoral paulista. Esses dois momentos são inseridos na abertura da novela através de conexão surreal que, no final das contas, acabou se traduzindo em um trabalho que causa certa estranheza. Uma noiva tem seu véu levado pelo vento para o mar. Ela, então, dá um mergulho nesse mesmo mar e vê seu véu se transformando em uma água viva (?) juntamente a um tronco de árvore que vira um enorme peixe (?). Tudo isso fica ainda mais artificial com a presença de elementos tridimensionais computarizados com um acabamento limitado. Bom, partindo do SBT, não é de se estranhar esse tipo de abertura, vide seu histórico de vinhetas e aberturas.
Só uma observação: essa novela não é um remake da novela “Véu de Noiva”, transmitido pela Rede Globo em 1969, embora tenha sido escrita pela própria Janete Clair.
>>> Ficha Técnica
Ano: 2009
Canal: SBT
Som: Flávio Venturini (de Wander Peixoto)
Produção: Fernando Pelegio (Criação Visual do SBT)
A série Mulher da Rede Globo marcou os anos 90 com uma história que acontecia em um hospital especializado em mulheres, mostrando as vidas de duas médicas – Martha Corrêa Lopes (Eva Wilma) e Cristina Brandão (Patrícia Pillar) – e os problemas enfrentados por suas pacientes. Em suma, através de temas como gravidez na adolescência, aborto, eutanásia, síndrome de Down, frigidez, violência contra a mulher e câncer de mama, o seriado explorava de certa forma, o íntimo feminino, seja no âmbito físico, ou no social e psicológico. Daí veio a inspiração de sua abertura, que, segundo o próprio criador Hans Donner, tentava mostrar o interior feminino. Formas orgânicas, translúcidas e tridimensionais emaranhadas dentro de um ambiente escuro reforçavam essa ideia original. O característica feminina era expressa sutilmente nas cores quentes aplicadas sobre elas. Os créditos, mesmo com o dispensável padrão Globoface, apareciam entre esses elementos, formando um efeito de lente. Ao final descobre-se, no distanciar da câmera, que essas formas orgânicas nada mais eram as letras que formavam a assinatura do programa.
Confira abaixo abertura e os comentários de Hans Donner sobre ela:
Após acompanhar o post especial sobre a evolução das aberturas e marcas da versão britânica do Big Brother, é hora de conferir a nova abertura da 10ª edição. Assim como as demais, um olho estilizado serve de base para a composição da marca, que a cada ano recebe texturas e elementos formais diferenciados que conferem uma personalidade diferenciada a edição, sem se distanciar de uma identidade em relação aos anteriores. Dessa vez, as curvas de uma impressão digital constrõem a marca. Já a vinheta continua com a mesma trilha e edição frenética, mas as imagens, agora, são formadas por cenas em computação gráfica tridimensional compostas por uma profusão de câmeras e a marca com uma texturização futurística. As cores que variam entre roxo e o azul claro são interrompidos por efeitos que desconstrõem uma linguagem gráfica que poderia ser considerada mais convencional. Esses efeitos, conhecidos como data moshing, na verdade, são provocados por erros de compactação de vídeos vistos em geral em sites como o You Tube e que viraram um recurso gráfico proposital utilizado até em alguns clipes, como da música “Evident Utensil” da banda Chairlift ou da música “Welcome to the Heartbreak” de Keany West. Contudo, para nós, acostumados com uma estética mais linear e icônica, fica difícil nos acostumar com esses recursos estilísticos, mas que são perfeitamente compreensíveis no contexto do design britânico.
Mais uma vez a agência Prologue é mais uma vez chamada para a produção da série de vinhetas que compõem a identidade visual do MTV Movie Awards. E essa escolha não é a toa. Afinal, além de sua experiência nesse tipo de premiações televisionadas ser bastante vasto, seus trabalhos são indiscutivelmente muito bem executados. E as vinhetas desse ano seguiram a mesma qualidade. Isso porque juntam o tradicional surrealismo e certo bom humor das vinhetas do canal com uma composição tipicamente contemporânea, com cores fortes e vibrantes, tipografia aserifada e elementos que alternam entre grafismos simples e geométricos com imagens fotográficas e tridimensionais extremamente detalhadas. Toda essa profusão de objetos visuais garantem uma harmonia tanto na integração entre eles, como nos movimentos precisos e bem acabados.
Em relação ao conceito das peças, por mais surreais que pareçam, suas ideias são bastante lógicas, já que partem da ideia da personificação de ícones relacionados a cada prêmio que apresentam algumas vezes temáticas abstratas. Isto é, objetos como um balão ou uma câmera filmadora ganharam corpos humanos, e, assim, passam a simbolizar de forma mais concreta uma “melhor cena de comédia” ou “melhor filme”.
Além das vinhetas, a própria marca criada para esse ano não só acompanha a estética e linguagem das peças audiovisuais, mas também resume, de maneira inteligente e divertida, a essência do evento. Através de um homem com roupa justa dourada e com a cabeça substituída pelo troféu da premiação, a marca faz uma sátira a pomposa e cerimoniosa entrega do Oscar, na qual, aliás, a produtora é a responsável pela identidade das últimas 5 edições.
Acompanhe com detalhes todo o processo de produção e criação, além de todas a vinhetas e outros trabalhos no próprio site da Prologue.